Na natureza, as estações do ano, primavera, verão, outono e inverno, correspondem á infância, juventude, maturidade e velhice.
Pequenos ciclos, são encontrados também dentro dos grandes ciclos, como momentos de conflitos enquanto ainda somos jovens, ou de grandes realizações na velhice, correspondendo a um inverno dentro do verão e um verão dentro do inverno respectivamente.
Os finais de ciclo correspondem à morte, e os inícios ao renascimento.
Morremos para o conforto da fase gestacional ao nascermos para uma vida mais ampla e repleta de estímulos.
Morremos para o aleitamento materno ao nascermos para uma alimentação mais variada em sabores e texturas, morremos para a condição infantil ao nascermos para a adolescência e a possibilidade de mais conhecimentos e descobertas, morremos para a adolescência ao nascermos para a vida adulta e produtiva e assim vai indefinidamente até a morte do corpo físico para o Renascer em espírito.
E o que aprendemos com a compreensão dos ciclos, mortes e renascimento?
Que na vida situações acabam para dar lugar a outras experiências que podem ser vividas com mais maturidade e sabedoria.
Porém, à medida que construímos a personalidade, criamos um sistema de crenças através do contato com o mundo.
Neste sentido, o comportamento reflete este sistema de crenças e o mundo nos devolve tudo aquilo em que acreditamos, pois de acordo com estas crenças, temos emoções e comportamentos correspondentes, criando-se uma freqüência vibratória que atrai experiências específicas de acordo com o que se coloca a nossa frente.
É a grande lei da sintonia da vida com o mundo a que estamos inseridos.
O trabalho, portanto consiste em lapidar a personalidade, através da mudança do sistema de crenças, criar uma nova concepção de vida, através da compreensão de seus ciclos, compreender que por mais difíceis que sejam as situações que vivemos, sempre podemos viver outras com mais plenitude e realização.
Estamos conectados com o Agora, com a natureza e os ciclos da vida, resignificando o passado e construindo um futuro que faça mais sentido em nossa vida.

Cáritas Souzza

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NÃO AMAR A VIDA

Não amar a vida é narrar o que faltou acontecer.
Pois nascer não é o bastante para ninguém.
Não amar a vida é o mesmo que necessitar
D e sentimentos dentro do coração
E sofrer de uma insônia que invade à alma.

Não amar a vida é pior do que ser ausente.
É não encontrar na boca espaço para as palavras.
É um castigo mais severo do que o ódio
E se torna mais grave do que esquecer.
Não amar a vida é morrer de uma tristeza incurável.
É participar do mundo como se ele estivesse sempre por ser recriado.
É colar o fogo porque não existe sonhos a ser sonhados.

Não amar a vida é apressar os fatos por não fazer parte deles
É sentar em uma escada por medo de cair em falso.
É não levar uma foto de ninguém na carteira.
É correr o domingo para chegar na segunda.

Não amar a vida é um crime onde não se reconhece culpa
Um castigo que não errou de endereço.

Cáritas Souzza

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SOFRO

Cáritas Souzza

Sofro com o medo de não ter som para a voz
Que na garganta grita e ao mesmo tempo canta.
Sofro até cansar ao pronunciar pequenas frases.
Sofro espumando espanto e medo.
O sol arredonda a madeira, o ferro, o vidro
Os olhos, as mãos e as palavras mais rudes.
Arredonda o silêncio para não arder
Os desaforos, a culpa e o sonho.
Percebo que, tudo que farpa corta
E tudo que é vivo sinaliza risco.
O grito, a lasca, a lâmina que esconde
Sinais de rebeldia que me permitem
Duvidar dos sentimentos da alma.
Os meus pés cantarolam música.
Ficam com febre para não ir caminhar
Na manhã do dia seguinte.
Sou sempre rápida como uma águia.
E nunca troco meu nome por um referencial.





Histórico:

- 01/05/2006 a 31/05/2006
- 01/04/2006 a 30/04/2006
- 01/03/2006 a 31/03/2006
- 01/02/2006 a 28/02/2006



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01.04.2006

CONFISSÃO

 

Contava meus pecados com detalhes

 

Aumentava meus pecados com intensidade.

 

O padre sempre tinha sono

 

Ressonava e sonhava  na cabine do confessionário.

 

Confundi o mesmo  com provador de roupa

 

Devido a semelhança que  encontrava entre ambos.

 

São misteriosos os motivos da grade

 

Que separava o mundo de Deus

 

Do mundo dos fiéis. 


 Eu me envergonhava de não ter pecados

 

 Roubava os pecados dos outros

 

Para me sentir mais santa

 

Para ganhar confiança.


Minha fé de infância sempre foi maior do que a forma

 

Que encontrei para rezar

 

 Eu só queria me salvar.

 

Custei a entender que não posso me dar conselhos

 

Não me escuto  porque me escuto tarde demais.

 

(  Cáritas  Souzza)

 



- Postado por: Cáritas Souzza às 15h19
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01.04.2006 

PENSAR

 

 

Deduzir não é pensar

 

Pensar requer uma falta de dedução  intensa

 

 Um desequilíbrio que nos equilibra.

 
Deixei de conferir milagres

 

 Todo  milagre  espera 

 

Acontecimentos que   acontecem  em segredos.

 

Meus olhos se acostumaram a abrir e fechar

 

 No movimento das lágrimas.


Aprendi a mastigar ilusão

  

Tomar um cuidado excessivo com as palavras

 

 Antes mesmo de pronunciá-las.

 
Sou semelhante a Estrela-do-mar

 

 Que perde o veludo  translúcido

 

Para ser  somente  cópia  da concha.

 

Sou como uma embarcação

 

 No  interior  do oceano que não se acalma.

 

(  Cáritas  Souzza)



- Postado por: Cáritas Souzza às 15h17
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01.04.2006

 

RUPTURA

 

Amar é mais do que ver

 

 É suportar o que não pode ser visto

 

As coisas que não aconteceram não fracassaram

 

Escolheram um outro passado.

 

Não escolhemos o nosso futuro

 

 Escolhemos os  nossos sonhos sonhados. 

 

Não quero cobrar nada

 

Sei que estarei lhe devendo sempre alguma explicação

 

Como a do anjo  que não para de chegar perto de você.

 

 ( Cáritas  Souzza)

 

 

 

Queria acordar como se fosse

Realmente um novo o dia
Onde nada seria improvável

E  nada fosse impossível.
Voltar ao tempo em que não havia

Mortos para enterrar...

Não existia religião  para esconder

Os  hábitos  trocavam de lugar

E  se era feliz de qualquer jeito.

( Cáritas Souzza)

 



- Postado por: Cáritas Souzza às 22h40
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01.04.2006

APRENDENDO  DIFERENÇAS

 

 

Aprendi a diferenciar a ilusão da verdade

 

contida na loucura da mentira 


 Olhava o firmamento  na transparência do azul


Usava com compaixão o sempre  vestido na missa de domingo


Conversava com espantalhos para aprender

 

A  calar dentro do medo.

 

Formigas formigavam a terra e a minha alma

 

Minha solidão não tinha bolsos

 

 E  a assombração era arte de viver.

 
 Minha inocência era não saber o que hoje sei

 

 Eu acreditava que havia curvas na vida

 

 E  só depois percebi ser ela  estrada  reta

 

Que só indaga  onde existe possibilidade de resposta.

 
E  que só busca  onde há possibilidade de encontrar  espinhos

 

Empilhando  sonhos  para farpar  o  coração.

( Cáritas  Souzza)

  

Minhas decisões não influenciam o mundo,

Não me arrependo  da responsabilidade de agir
Conto  histórias sem me preocupar com o estilo

E   sim somente com o final.



- Postado por: Cáritas Souzza às 20h41
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01.04.2006

 

CULPAS

Arrepender-se do que foi feito não é apagar

 

Mas  é aceitar a contradição e  a oposição

 

Na experiência negativa dentro de si  mesmo.

 
Não há culpa onde houve vontade de acertar

 

 Se errei  é que o erro também precisava de mim

 

Não conheço alegria que não deixa sinais

 

  Nem conheço tristezas que não deixem marcas

 

 As marcas indicam se  acertei ou se errei. 


 Todo excesso é amor

 

 Não sou de alimentar sombras do passado

 

Para viver o momento  presente


As marcas são minhas e  intransferíveis

 

Mas as feridas  não combinam  com a tonalidade de minha pele.

(Cáritas  Souzza)

Eu lembro que rompi comigo, com as lembranças e nunca mais regressei, nunca mais me revi. Lembro da percepção de lembranças vagas de minha infância, restos de emoções que nunca foram associadas ao longo de uma vida transcorrida. 
Dói verificar que o que se levou de todas as lembranças foram reduzidas a tristezas.
Uma tristeza tímida, não envergonhada. Uma tristeza sábia, que não é excluída com uma outra tristeza maior.
Uma fogueira que a concha de terra não ameniza. Uma tristeza que veio de algum estalo, de uma quebra qualquer, de uma morte prematura e de uma viagem adiada.
Medo de não ter vivido o bastante, na covardia de não viver como se deve. Uma tristeza experiente, que não se repete. Que não salva, porém conforta. Que torna a feição do rosto séria como quem se escuta. Uma tristeza sem par para dançar. Isolada demais para ser lembrança. Antiga demais para ser futuro. Uma tristeza que acontece alegremente, mas que ainda assim continua sendo tristeza.



- Postado por: Cáritas Souzza às 15h29
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01.04.2006

CANSAÇO

 

Quando estou muito cansada

 

Quando o peso da solidão me oprime

 

Não durmo  porque fico cansada demais para dormir

 
Quando não estou tão cansada

 

 Nem tão sozinha descanso sem ritual

 

Sem sandálias  a esperar a esperança

 

E  a felicidade bater insolente no portão.

 
A insônia é o cansaço do cansaço  da solidão

 

Não posso me renunciar

 

Porque não tenho mais nada para perder

 

Não posso me desapegar

 

Porque não tenho mais nada para ganhar

 

Tentei pescar a felicidade

 

Cravei o anzol em minha   mão

 

Eu me  penitenciei  e não me devolvi ao mar.

 

(  Cáritas  Souzza)

 



- Postado por: Cáritas Souzza às 11h30
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 AMOR É...
Cáritas Souzza

O amor não é segurança
Mas... Todos procuram se sentirem
Seguros quando amados.

Ao amar
Fica-se fragmentado
Porém...
Nunca... Nunca... Dividido.

Fica-se tão sensível
Que se entra em um estado de insensibilidade.
O choro é pavio de lágrima mergulhado na chama acesa
Que dança solidão dentro de nossos olhos.

Não reage
Demora a se fazer ouvir.
Algo como sentar na ante-sala da voz
Para folhear o livro do tempo.

Ao amar...
Flutua-se como se o mundo
ainda estivesse
Ensaiando madrugadas
antes do amanhecer.
 
Sem coragem de falar,
O jeito é esperar no milagre do  sentimento
Um sinal...
Um aviso...
Que  arrebentem as cordas das mágoas
Nos libertando das feridas que sangram
Deixando espaço para o amor penetrar
Finalmente dentro de nosso coração.

Mensagem aprovada no site: 
http://www.mensagensvirtuais.com.br
 Que  estará  na data de  12-4-2006   
em destaque na página inicial do Mensagens Virtuais. 

 

 



- Postado por: Cáritas Souzza às 08h31
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 NÃO TER VOCÊ
Cáritas Souzza

Estava triste!
Os olhos já cansados de por ti chorar,
O coração em passos lentos quase a parar,
A vida por um fio só por te amar.

Saí por entre a multidão.
Casais de namorados, de braços dados,
Vozes passando... Sorrisos francos.
Mulheres mendigando!
Eu vi o mundo inteiro por mim passar
E só a tristeza a me acompanhar.

Amargura, saudades, dor!!!
Que faço eu neste mundo sem teu amor?
- Não sei. Se até a flor  pra mim  fechou???
Meu Deus! Que faço eu neste mundo sem teu amor?

Estava triste.
Olhei o sol ele escondeu-se,
Procurei uma mão ninguém me deu.
Chorei...

E nunca mais amei. 



- Postado por: Cáritas Souzza às 23h43
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SAUDADE

Cáritas  Souzza

Saudade...

Da grama amanhecida e orvalhada

Das sandálias chutando o vento

Das gavetas e seus pertences guardados

Como um segredo da memória.
 
Saudade da fita de vídeo rebobinada várias vezes

Para assistir sempre ao meu mesmo filme

Que ficou impregnado dentro do coração.


Saudade das abelhas e seus zumbidos de asas

Da respiração vaporosa das minhas filhas quando crianças

Dos cachorros desidratando a terra

E dos gatos em telhas soltas

Fazendo serenatas em noites de lua cheia.

Saudade das mãos concentradas nos cabelos

Do fogo infantil de uma vela

Do fogo adulto de uma lareira

Do cristal luminoso do lustre que brilha

E  ofusca os olhos cansados.

Saudade  dos sapatos deitados no chão do quarto

Das cobertas transformadas em travesseiros na janela

Das estrelas escamadas  iluminando o mar

No silêncio  das  noites  calmas.  

Enfim...

Sinto saudade da lágrima que se afasta

Para ler o que se escreveu nos olhos.

 

 

 



- Postado por: Cáritas Souzza às 23h42
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UMA MULHER NÃO  DESEJA...

Cáritas  Souzza

A mulher não deseja ser mãe de seu homem amado.

Não deseja ser mestra...

Não deseja ser tia...

Não deseja ser a “outra”.

 

A mulher quer ser antecipada, sonhada, imaginada.

Deseja ser sondada  e respeitada.

E em seus sentimentos ser   pressentida.

A mulher deseja ser adivinhada.

Há páginas que ficarão em branco

Imagens que não serão coladas

lembranças que não terão destaque.

A  capacidade  de amar  sem reservas

É  o que mais comove na alma da mulher

Porque se reserva a ela

Um espaço para a desilusão.

 



- Postado por: Cáritas Souzza às 22h30
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PENSO...

Cáritas  Souzza

Eu penso muito...

E ao pensar não aproveito
O que não vai virar pensamento na verdade
Porque já se torna absoluta falta de palavras
Inseridas nas inverdades proferidas.

Eu mereço me esvaziar em contradições.
Todo instrumento de sopro pede o recuo da força
A suavidade vem de alguma renúncia

Expressa em palavras que  se  trocam boca a  boca.

Renunciei hoje quando comi desprezo com rejeição.
Eu tinha razão antes
Eu odeio ter de engolir a força
Estas odiosas comidas

Que me foram oferecidas
Em lugar do pão.
E que por algum motivo ficarão para sempre
Encravadas dentro da minha garganta

Em um  cantinho que  conduz ao  coração.

 

 

DEIXA

 

Cáritas Souzza

 

Deixa... 

Deixa eu sonhar que estou

Em  teus braços

E te  percebendo

Em todos os sentidos e direções.

Sentindo no pulsar da vida

Que existe em você

O que  queremos viver

Em toda a intensidade

Dos  nossos sonhos repletos de prazer.

 



- Postado por: Cáritas Souzza às 23h24
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TRAGA-ME

Cáritas  Souzza

Traga-me o mar com as espumas que cobrem as canoas que dançam alegres ao sabor das ondas agitadas.
 Traga-me a quietude do luar de prata, que vai se derramar pelas frestas da janela quando fizermos amor.
Traga-me um pensamento que não foi só sentimento de raiva e ira, mas que acima de tudo foi, é  e continua sendo amor.
Traga-me o ritmo das cartas sendo embaralhadas e, traçadas pela mão amiga do destino.
Traga-me seu álbum de fotos e as figurinhas repetidas para poder trocar e formar um outro álbum.

Traga-me o medo da escada da vida, com as tampas de vidro dos perfumes que foram usados.
Traga-me seu nome na escrita de tua rubrica.
Traga-me o cheiro da sua cidade natal, acompanhada do estojo de linha e anzol para poder pescar.
Traga-me o sótão de seus livros, seus CDs mais ouvidos na letra mais arisca e, ao mesmo tempo mais doce.
Traga-me a conversa de corredor, a porta observada.
Traga-me as lembranças no colo e a carícia nos ouvidos.
Traga-me as jóias falsas e as verdadeiras, para as pedras disputarem corrida no piso da sala.
Traga-me também seus problemas incomunicáveis.
Traga-me a indulgência inocente aos jogos de vídeo-game.
Traga-me a manhã depois de ter amado à noite.
Traga-me a noite depois de ter odiado à tarde.
 Traga-me sua risada, a insensatez , o palavrão.
Traga-me a Bíblia marcada com a fita de meus cabelos feito cachos.
Enfim... Traga-me a salvo o que ainda não abrimos juntos.
Mas... Traga alguma coisa para ser compartilhado e vivido a dois.
 

 



- Postado por: Cáritas Souzza às 22h38
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RECORDAÇÕES

Cáritas  Souzza

Uma casa.
Uma casa construída em um bairro elegante de Fortaleza, próxima a praça, e a Igreja do Cristo Redentor. Uma casa a margem das idealizações incontidas.
Casa que lembra um labirinto, com tantas salas, janelas quartos e sótãos.

Ao circular por todos os corredores, ao se perder em não sei quantos aposentos, vive-se ali, quase um século da história da família Souzza Ribeiro.

Uma casa  tecida de orvalhos e brisas. História frágil  mas, buscando com a luz de todas as manhãs o resplendor da força do sol.
Esta é uma casa que talvez não tenha fim e, que desliza no eterno compasso do refluxo das águas das marés que vão e voltam.

Que esta lembrança  dessa casa, fique para minhas filhas e para os que virão da carne delas. Que ela fique para sempre, acrescida de outros rostos, outros sonhos, outras palavras.
Com as minhas mãos pálidas feito hóstias  abrirei o baú do tempo com chave de prata. Esta chave tenho aqui junto de mim, sobre a mesa do computador onde agora me debruço ao digitar essas  recordações.

O que recordo é a soma das coisas que eu imaginei, vi e vivi nos anos que gastei entre os corredores desse solar antigo de infinitas portas.
Eu nem posso me recordar do momento exato em que o desejo de deixar esse legado tomou conta do meu ser. Talvez eu tenha nascido com essa semente plantada em minha alma, e ela tenha principiado a brotar nos idos tempos da minha infância.
A recebi de minha mãe que recebeu de minha avó que por sua vez recebeu da bisavó. E, será essa também, a nossa herança que legaremos aos nossos filhos, que legarão aos filhos de seus filhos, já nossos bisnetos, na certeza de que é assim que se caminha as gerações através da vida.




- Postado por: Cáritas Souzza às 21h58
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OPÇÕES

Cáritas  Souzza

Não mudei.

Escolho o amor a granel

A  amizade a granel

A  fidelidade a granel.

Granel são as gramas de minhas ambições

E  desejos confessados e inconfessados

Mas que fazem parte do meu jeito de ser...
Minhas filhas meus familiares  e o meu amor

Estão na velocidade do  vento

Escondidos na rapidez do tempo.

Meço minha  tristeza

Sabendo existir  muitas formas

De se enfrentar a dor sem precisar se nivelar a ela.
O sofrimento é mais egoísta e orgulhoso do que o sofrer

Não admitimos que o outro sofra em nosso lugar

A gente só se desentende depois de se conhecer.

 

Eu imaginava  que todo sonho na infância
Já era uma forma de ser adulto.
Nunca tive dinheiro para pagar a diferença
Entre meu nascimento e minha morte
Por isso continuo vivendo a
té quando ainda não sei.

Modifico as circunstâncias,
Para inventar uma biografia que faltou coragem
Para experimentar e viver.
Nunca comi rejeição mas a rejeito desde pequena.
Criei o hábito de julgar pelos olhos
Quando eles procuram sondar
O invisível que habita à alma.

( Cáritas  Souzza)



- Postado por: Cáritas Souzza às 21h19
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CANTA-SE...

Cáritas  Souzza

 

Canta-se para  envolver  as mãos e o coração

Os  olhos  e a correnteza da chuva.

Canta-se para amar o que ainda não  nasceu

E  para interromper uma recordação triste.

Canta-se pelo silêncio mudo  do momento.

Canta-se pelas pedras onduladas das calçadas

 se apoiar na velhice do  corrimão sujo  das escadas.

Canta-se para ultrapassar a mágoa e  para não ter motivos de magoar.

Canta-se para embaralhar a confiança e a carícia

Desobedecer   o presente injuriando  com um beijo de  perdão.

Canta-se para  enxugar os  olhos

Cuidar  das  roseiras e deitar na grama.

Canta-se para alimentar o que não é  dúvida  

E  fortificar o sonho.

Canta-se para viver no mesmo sorriso dos lábios

A  falta de equilíbrio dos segredos.

Canta-se para respirar mesmo sem existir  ar...

E para viver sabendo  aceitar

As  decisões do   Espírito

Nos  encontros e desencontros existentes na vida.